Porque a gente tem fome.

#OBRASILNÃOTEMCULPA

Às favas as camisetas
‘del maricón’ Sergio K.

Que as camisetas (e as campanhas) de Sergio K. são sem graça e embutidas de pré-conceito, não é novidade. Quem acompanha o blog, sabe disso há algum tempo.

Talvez a Copa do Mundo só tenha feito com que uma parcela da população que, não aquela público alvo de Sergio K., tomasse conhecimento que a marca burguesa existe. Mas e daí?

Daí que como sempre, Sergio K. criou polêmica e ganhou vitrine, a chamada “mídia espontânea”. Só que outra vez não segurou a onda e vitimou-se como a um cãozinho acuado em meio a lobos famintos.

Mas não é a reação dessa maioria “raivosa” que reagiu às estampas nas redes sociais que me causa espanto. Nem os gays que se sentiram ofendidos — e eu sinceramente não lembro que algum gay tenha esbravejado quando Félix jogou um bebê na caçamba.

O que ainda me causa estranheza — eu poderia dizer “nojo” ou será “consternação”? — é a reação de uma parte da chamada “elite da moda”, aquela que não satisfeita em definir o que vai vender, ao invés de celebrar, esbraveja inconformada contra um novo público que passou a consumi-la.

Explico. Na semana em que o Golpe Militar de 1964 completou 50 anos, a Ellus levou um batalhão de militares a passarela do São Paulo Fashion Week (apoio?) para finalmente lançar a campanha “Abaixo esse Brasil Atrasado”.

A estratégia de marketing, aliás, foi desastrosa: uma cópia de um selfie do último Oscar, agregou seguidores ao Instagran de Cauã Reymond; e não ao da marca. Originalidade zero.

Ao invés da fazer política, a Ellus preferiu fazer politicagem. E, em tom de lamuria, jogou a para a plateia a responsabilidade por não conseguir concorrer com as grandes grifes internacionais:

— Tudo é tão difícil! (…) Brasil = ineficiência, improdutividade. Isso faz com que fiquemos isolados do mundo, acarretando esse atraso todo em relação ao mundo moderno — escreveu a grife em um “desabafo” que tentava explicar ao público o desfile desastroso.

Em paralelo, Paulo Borges, criador e mentor do SPFW, postou nas redes sociais uma foto ao lado daquele que chamou de “Professor Delfin Neto”, famoso economista dos tempos da Ditadura Militar e um dos apoiadores do Ato Institucional Número 5 que em 1968 fechou o Congresso e calou muitas das vozes pensantes do país, entre elas Zuzu Angel, ícone da moda nacional.

Mais: foi pelas mãos do “Professor Delfin” que o Brasil quebrou e caminhou para índices de inflação recorde levando milhões a linha de pobreza.

É incrível, mas é preciso dizer: o Brasil só decolou com a Democracia. E três décadas depois, nunca tantos brasileiros tiveram acesso ao consumo. E podem fazer suas próprias escolhas.

Ignorar a opinião desse potencial consumidor pode ser fatal. O que não se pode é definir um país pela mentalidade de uma marca. O Brasil não tem culpa da Ellus e seus pares serem tão atrasados. #OBRASILNÃOTEMCULPA

2 Respostas

  1. pedro@bol.com.br

    Ótimo comentário. Acho patético o organizador desses desfiles dizer que a moda está perdida, que tá todo mundo tentando achar um lugar, que o Fast Fashion tá acabando com tudo. Já não sabem mais que desculpa inventar para o grande circo que virou a moda nacional. Consumidor não é idiota, não vai vagar 300 reais numa roupa que ele pode pagar menos de 100. Até porque essas roupas são cópias das tendências que vêm de fora, já chegam aqui datadas. E muitas vezes, a roupa do Fast Fashion é até melhor que a tal roupa de marca, até porque ambas usam os mesmos costureiros sub pagos.

    abril 9, 2014 às 8:49 AM

  2. Marcos Machado

    zzzzZZzzzzROOOOONC!

    abril 9, 2014 às 12:35 AM

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